domingo, 1 de maio de 2011

04 - TELEPATIA

Agora eu já sabia o que estava acontecendo, então resolvi enfrentar de frente a situação, o problema é que a coisa foi piorando de vez, estava começando a sair do meu controle, tentei brigar com aquilo que estava interferindo com minha mulher, de nada adiantou, só piorava, a olhos vistos se percebia que a cada dia tudo ia indo rápido demais.

Comecei a reparar então que ela começou a ter alguns hábitos que a minha vizinha tinha!! Ficava no meu escritório no escuro, bebendo e de frente para a tela do computador, cantarolando músicas, aquilo me irritava, pois eu sabia o que era aquilo, então num dia escutei ela chamando nossa filha, mas a voz que eu ouvi não era a dela e sim da outra, a entonação o jeito de falar, o timbre da voz, aquilo foi a gota d’água.

Levei ela em um centro de Umbanda, coisa séria, gente boa por lá, fizeram todo um trabalho, mas nada, esse tratamento durou cerca de 2 meses e não surtiu efeito.

Em uma daquelas noites onde ela nos dava muito trabalho, reuni ela, minha filha de apenas 6 anos, mas que estava entendendo tudo o que acontecia, minha velha e religiosa mãe e de mãos dadas e jogando água benta nela rezamos, minha esposa só chorava não conseguia rezar.
Levei-a para o quarto e quando ficamos só nós dois, de uma forma que não entendo bem até hoje, parece que o tempo e o espaço se curvaram e perderam as propriedades físicas que eu conheço, como se tudo ficasse num ângulo de 45 graus em meus pensamentos comecei a ter uma conversa por telepatia.

Incrédulo comigo mesmo, quando a chamei pelo nome completo, senti que ela se entregou, pedi a ela que fosse embora que iria rezar por ela, mandaria rezar missas para ela, ela concordou, mas muitas coisas foram faladas e ditas, eu pedia a ela que fizesse coisas esquisitas pois eu mesmo não estava acreditando no que estava acontecendo, dava ordens telepáticas que eram prontamente atendidas.
Quando ela se foi, foi como se num passe de mágica minha mulher acordou, normal, sóbria, minha filha me perguntou. –“Pai o que você fez que a mamãe ficou boa rápido assim?”.

Senti-me o super homem, mas no dia seguinte tudo aconteceu de novo, ela bebeu e ficou daquele jeito, só que desta vez não era minha vizinha que docilmente falou comigo e se foi, era alguém, algo, muito mais pesado.
Não consegui me comunicar telepaticamente mais em momento nenhum, então tive de verbalizar meus pensamentos, a entidade, interferência vibratória, ou o que quer que fosse, dizia coisas horríveis, era pura angustia,  maldade, revolta, e tudo mais que possa ser negativo.

Consultei meu irmão que já havia me dito dezena de vezes sobre telepatia e eu me sentia como se estivesse mentindo para ele ao contar o que estava acontecendo, como se ele não fosse acreditar em mim, então ele me disse. –“Relaxa mano, sei como é, quantos já não zombaram de mim”, só que agora o negócio é mais pesado, e você esta lutando uma batalha perdida. – “Como assim”, perguntei. – “Você não combate o mau com o mau, você combate o mau com o bem”, no campo de batalha dele, na marra e na força é mais ou menos você com uma pedra na mão e ele com um tanque de guerra.

Desesperei-me com aquilo, pois como poderia combater o mau com o bem?

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